Memórias da minha infância…

Todos nós temos uma história de vida. E nenhuma história é igual, algumas até podem ser parecidas. Tenho certeza de que a minha, não é igual à de ninguém, é apenas a minha história.

Tenho ótimas e felizes recordações de minha infância. Se eu disser que não fui feliz estarei mentindo. Mesmo com poucos recursos, minha família sempre procurou reverter a situação com outras formas de presentear as crianças.

Lembro que não tive bonecas que falam, que andam, que choram, também não tive bicicleta, nem vídeo game, nem brinquedos caros…Ao invés de brinquedos caros eu e meu irmão, brincávamos com as coisas da natureza, caminhávamos no mato de eucaliptos à procura de pássaros coloridos, brincávamos de esconde-esconde no meio das plantações de meu avô, criávamos fazendas com espigas de milho, fazíamos barracas com cobertores nos dias de chuva, saíamos para pescar. Meu avô era carpinteiro, marceneiro, pintor, agricultor, cozinheiro, ele fabricava coisas para os netos, balanços, redes, viveiros, caniços, alçapão para caçar pássaros, cadeiras preguiçosas, também nos ensinou muitas coisas: Colher frutas no pé, sentir o gosto de uma fruta sem agrotóxico, ensinou também a pescar, colher morangos, colher uvas na parreira, tirar leite de vaca, alimentar as galinhas, enquanto isso ele também contava muitas histórias.

Eu e meu irmão Iberê.

Falando em histórias, lembro até hoje de muitas que minha tia contava: “João Louco e João Certo”, esta história, ela conta até hoje para os outros sobrinhos, eles adoram. Essa tia é muito brincalhona até hoje. Adorava visitar minhas amigas e primas para poder brincar com as bonecas delas, eu ficava deslumbrada.

No verão, meus tios e primos chegavam para passar as férias, sempre traziam brinquedos e doces. Lembro dos presentes que ganhei de meu tio, uma boneca linda loira que chamei de Marcela, um piano que aprendi a tocar muitas músicas, também ganhei uma mobília de bonecas cor-de-rosa, (quarto, cozinha e varanda), fiquei encantada com a mobília por muitos meses.

Na frente de minha casa tinha um terreno baldio, onde brincávamos com os amigos, as vezes aparecia um circo por lá, ficávamos olhando os animais do circo o dia inteiro. Ou então brincávamos no engenho de arroz que ficava na esquina de minha casa. Também adorava brincar no quintal, onde havia um balanço feito por meu avô. Todos os sábados meu pai me levava na praia de bicicleta, enquanto minha mãe ficava fazendo almoço. (Saudade de ti meu pai, descanse em paz onde estiver).

Balneário Rebelo - Tapes/RS. Foto: C. Camboim - 1966

Percorro as lembranças da minha infância, e ainda lembro do canto das cigarras nos dias de verão, acordava cedo para tomar café com meu pai, depois saia para a rua brincar nos campos e mato com meu irmão mais velho, corria descalça para sentir a grama úmida, as vezes voltava para casa com os pés cheios de espinhos, para almoçar e descansar. Lembro do cheiro da terra molhada, quando começava a chover, o barulho dos pardais abrigados nas árvores, o barulho do vento, é realmente algo que nos marca para sempre.

Quando crianças deixamos de dar valor a estes pequenos tesouros. Essas lembranças ficam guardadas para sempre no nosso coração, os cheiros, as sensações ficam arquivadas para sempre. As vezes vou revivendo a minha infância… e ainda hoje sinto aqueles cheiros dos eucaliptos, da terra molhada em lindos dias de sol de primavera. Também sinto saudade de um tempo que não volta mais…Os cheiros e cores, são prazeres que ficam guardados na memória.

Mesmo sem brinquedos caros, nunca me faltou carinho, nunca me faltou amor, também nunca me faltou comida. Sempre tive muita atenção de todos os adultos, avós, tias avós, tios, pais…

Hoje reconheço que fui uma criança feliz!

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