Tipos estranhos da cidade onde nasci.

Quando eu era criança existiam algumas pessoas estranhas. Era uma cidade pequena do interior onde todos se conheciam. Cada um tinha seu jeito único.

Lembro que nesta época os loucos eram ingênuos, dóceis e espertos, eles eram loucos mas saudáveis, na cidade todos gostavam deles e respeitavam seu modo de ser. Eles eram bem tratados por todos, somente as crianças tinham medo deles.

Um deles era o Cavaco um ser muito estranho que adorava incomodar as pessoas até ser xingado, ele era muito carente, fazia isto somente para chamar atenção das pessoas. Sempre tinha uma pessoa que o incomodava, só para vê-lo brabo.

Outra estranha era a Malvina, um senhora gorda que usava umas roupas largas, ela amarrava uma tira na cintura, também foi uma criatura engraçada.

Lembro muito bem do Abrilino, era um louco do bem, simpático e muito querido. Juntava ossos pela cidade num carrinho de mão, depois vendia para as fábricas de botões. Quando ele aparecia, ninguém conseguia ficar sem conversar um pouquinho com ele.
Tinha uma maneira diferente de falar. Quando agente perguntava: Abrilino onde está o Floriavante? Ele respondia: -“O Fioravãn tá lá cu de cima tocan pisson”(Floriavante estava no clube da cidade, ensaiando piston no andar de cima), Também dizia:- “Café fio bu sem tampa.”, ” Fio da Puta”, e muitas outras coisas engraçadas.

Tinha também a Irene Louca, uma conhecida de todos, parece que ficou louca depois do parto, abandonou a família, e foi morar sozinha andava com roupas bem estranhas, calcinhas por cima das roupas, pintava o rosto de vermelho, caminhava pelo meio da rua e falava sozinha.

O Fanico, era miope, virava a cabeça para enxergar, lembro que era meio relaxado, mas sempre conversava com as pessoas.
Lembro também da Jorgina, parece que uma vez deu um temporal feio e ela perdeu sua casa, não sei se foi atingida por um raio, só sei que ficou um tanto desnorteada, vivia na rua com seu filho, criou seu filho e carregou junto por anos, até ele ficar adulto, não soube do fim dela, o filho ainda permanece na cidade.

O homem do relho ou Gentil, este era um louco muito brabo, todas as crianças tinham muito medo dele, ele mostrava o relho e pronto, fugíamos de medo.
Também existiram: O velho do saco, o mudinho, o Nabor, etc…

“De louco todos nós temos um pouco. Quem de nós não tem suas manias e hábitos, que geralmente praticamos em nossa casa como: dormir pelado, usar a camiseta do avesso por que é mais confortável, dormir com pijama velho e rasgado, ter seu ritual próprio, dormir com a tv ligada, não abrir janelas nunca, ou colocar panelas em sacolas para não arranhar, etc…”

Um pouco de loucura faz bem! Quem não tem?

Seja feliz com suas loucuras!

“Falo a língua dos loucos, porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos”.
Luis Fernando Veríssimo

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